Não é preciso muito esforço de observação, nem mesmo qualquer conhecimento filosófico, sociológico ou antropológico para perceber que estamos vivendo num período de adoração à pressa, à falta de tempo.
De início cheguei a pensar que se tratasse de uma louvação ao trabalho excessivo, afinal, dizer que se trabalha 12, 14 ou mesmo 16 horas por dia parece dar mais virilidade do que 03 testículos e mais status do que pegar Juliana Paes. E isso vale também e principalmente para as mulheres, com ressalva à segunda metáfora, exclusivamente.
Gosto do que faço, mas a verdade é que gostar de sua profissão não vai fazer o trabalho ser mais que um veículo, um meio. Você discorda? Trabalha exclusivamente por amor? Ótimo. Então diga ao seu chefe para esquecer aquele aumento prometido. Ele vai gostar.
Trabalhar é bom, mas ser rico é melhor e isso é incontestável.
Mas voltando ao tema, concluí que a louvação ao trabalho desmedido é uma simples conseqüência da “Era da adoração à pressa” de uma maneira até óbvia. Qualquer um pode fazer o teste e chegar a essa conclusão sozinho. Observe a conversa de qualquer dona de casa ou mesmo de uma madame que nunca trabalhou na vida. Em menos de dois minutos ela vai alardear que levou o poodle na tosa, fez pilates, escova, unhas, além do mais revolucionário tratamento a base de raios gama que é uma maravilha para estrias no anus e vai arrematar dizendo que não tem tempo pra nada.
Conclui-se, portanto, que vivemos a euforia da adoração à pressa.
As pessoas se orgulham de repetir em mantra que não tem tempo de malhar; para os amigos; para a família.
E como as informações são distribuídas a atacado e em frações de segundo, nos sentimos culpados por não saber sobre a mais nova cantora feiosa que agradou a platéia do Programa Raul Gil da Inglaterra.
Nos entregamos a toda sorte de tecnomanias buscando obter a maior quantidade possível de informações superficiais e descartáveis na maior velocidade existente.
Ler Saramago? Não temos tempo. Vamos baixar o filme no Youtube. Se não for suficiente, buscaremos um site com as melhores frases. Será que ele tem twiter?
Pois é. Eu não tenho twiter. Na verdade, no auge do meu arcaico conhecimento tecnológico da era mesozóica, achava que isso era a parte da caixa de som responsável pelo agudo.
Hoje escrevo um blog. Talvez eu não tenha tempo para escrever um livro ou simplesmente meus pensamentos superficiais e descartáveis só tenham cabimento nesse suporte eletrônico e não mereçam ganhar do mofo e das traças um verdadeiro atestado de eternidade.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
Viver é despedida.
Nascemos chorando o choro sincero de quem se despede do conforto do útero. Crescemos nos despedindo da saudável ignorância infantil. Cada descoberta é uma despedida. Nos despedimos do “não saber”, embora muitas vezes fosse bem melhor que tivéssemos continuado mais um tempo em sua companhia.
Em algum momento não devidamente guardado na memória, nos despedimos da infância em rumo à conflituosa adolescência. Lá, nos despedimos muito. Das espinhas; da barba rala; do fígado virgem; da virgindade; das camisas autografadas ao final de cada ano; dos amigos que autografaram as camisas e os momentos; da falta de culpa e principalmente da falta de preocupações.
Em momento algum encaramos essas passagens com a tristeza e o peso do que se convencionou chamar por despedida. Nos despedimos com a alegria de quem intuitivamente sabe que a única coisa que nunca deixamos para trás é o que está por vir. Viver é despedida. Viva! Se despeça do fim de tarde. Amanhã é dia de mais uma vez conhecer o novo. Até que a vida se despeça do corpo, aproveite.
Em algum momento não devidamente guardado na memória, nos despedimos da infância em rumo à conflituosa adolescência. Lá, nos despedimos muito. Das espinhas; da barba rala; do fígado virgem; da virgindade; das camisas autografadas ao final de cada ano; dos amigos que autografaram as camisas e os momentos; da falta de culpa e principalmente da falta de preocupações.
Em momento algum encaramos essas passagens com a tristeza e o peso do que se convencionou chamar por despedida. Nos despedimos com a alegria de quem intuitivamente sabe que a única coisa que nunca deixamos para trás é o que está por vir. Viver é despedida. Viva! Se despeça do fim de tarde. Amanhã é dia de mais uma vez conhecer o novo. Até que a vida se despeça do corpo, aproveite.
terça-feira, 14 de julho de 2009
ÁGUA LIMPA
Caros amigos, gostaria de me desculpar pela demora em escrever algo de inútil especialmente dirigido a vocês, mas, como o próprio nome já diz, esse é um sifão. Isso significa que, as vezes, por motivos dos mais diversos (a morte de Michael; a inexplicável ausência de novos acidentes aéreos; as férias de Roberto Justos...), a água desce limpa, não restando nenhuma sujeira que sirva de alimento para o fungo das idéias.
Noto agora o quanto estou sendo injusto com os fatos. Só a morte de Michael Jackson renderia um livro. Certamente não um livro infantil.
Há alguns dias um outro AIR BUS caiu e uma menina sobreviveu. Vale destacar que, após dez horas no mar ela foi encontrada agarrada a uma poltrona flutuante e ainda respirando com a ajuda da sua máscara de oxigênio. Estudos estão sendo realizados na Universidade de Massachucetts em razão das fortes suspeitas de que na verdade ela seja uma anã.
É inegável que eu não posso colocar a culpa nos fatos. Todos os dias somos premiados por situações ou notícias que inspirariam escritores mais talentosos.
Um dia desses, por exemplo, estava vendo TV e fui surpreendido por uma propaganda, estrelada por uma linda modelo, na qual anunciavam um desodorante que dura 48 horas. Imaginar a bizarra razão pela qual aquela sensual modelo compraria um desodorante que a permitisse ficar dois dias sem tomar banho, cheira a um bom texto.
A culpa, portanto, é sempre do autor. Nunca dos fatos, nunca da inspiração.
Noto agora o quanto estou sendo injusto com os fatos. Só a morte de Michael Jackson renderia um livro. Certamente não um livro infantil.
Há alguns dias um outro AIR BUS caiu e uma menina sobreviveu. Vale destacar que, após dez horas no mar ela foi encontrada agarrada a uma poltrona flutuante e ainda respirando com a ajuda da sua máscara de oxigênio. Estudos estão sendo realizados na Universidade de Massachucetts em razão das fortes suspeitas de que na verdade ela seja uma anã.
É inegável que eu não posso colocar a culpa nos fatos. Todos os dias somos premiados por situações ou notícias que inspirariam escritores mais talentosos.
Um dia desses, por exemplo, estava vendo TV e fui surpreendido por uma propaganda, estrelada por uma linda modelo, na qual anunciavam um desodorante que dura 48 horas. Imaginar a bizarra razão pela qual aquela sensual modelo compraria um desodorante que a permitisse ficar dois dias sem tomar banho, cheira a um bom texto.
A culpa, portanto, é sempre do autor. Nunca dos fatos, nunca da inspiração.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
Entre assentos flutuantes, abelhas e anões
Todo grande desastre aéreo é seguido de alguns itens básicos: uma imensa comoção geral e, sem dúvidas, as mais curiosas teses e estatísticas.
Nessas horas, todos se sentem um pouco especialistas em segurança aérea e arriscam os mais variados palpites, na maioria das vezes motivados pelos verdadeiros especialistas, que, sem o menor constrangimento, divulgam na mídia umas teorias bastante bizarras.
Com o recente caso da Air France não poderia ser diferente.
A primeira coisa que me chamou a atenção foi um dado, transmitido pelo respeitável Joelmir Beting, de que, com base em um estudo americano, “mais pessoas morrem por ano de picadas de abelhas do que de acidentes de avião.” De cara me surgiu o seguinte questionamento: O que se pretende com esse tipo de estudo? E mais, o que se pretende com a divulgação desse tipo de estudo.
É óbvio que é possível listar uma infinidade de causas que matam mais que acidentes aéreos.
Por ano certamente morrem mais pessoas de velhice do que de acidente de avião. Talvez mais pessoas morram por ano engasgadas com balas soft ou intoxicadas pela terrível combinação de manga com leite. Minha mãe mesmo acha que as pessoas podem morrer ao comer maniçoba mal feita.
A questão é que eu não tenho medo de abelha. Morrer de velhice é o sonho da maioria. A maniçoba mal feita só vai dar uma baita diarréia. Sobre as balas soft... é melhor não comentar porque elas são realmente perigosas.
Eu tenho medo é de avião!
A verdade é que, pra quem tem medo da voar, nem mesmo dados objetivos mais sérios servem como alento. Por exemplo: Somente ocorre um acidente aéreo de grandes proporções a cada 100.000 pousos e decolagens. Grande coisa. Alguém vai ter que voar no número 100.000 e pode ser você.
Se apegar aos itens de segurança do avião também não ajuda muito. Você já ouviu falar de alguma pessoa que se salvou de um acidente de avião por causa da poltrona flutuante? E aquela máscara?! Ela serve pra que mesmo?! E não é só: “Se houver uma criança sentada na poltrona ao seu lado, primeiro coloque a sua máscara e, posteriormen... EXXXSSSGRODOWSKYYY!! E TUDO ACABA NUMA IMENSA BOLA DE FOGO!!”
Esqueça tudo isso. O que realmente funciona é prestar atenção em dados intuitivamente relevantes, como por exemplo, o “fator anão”.
Você nunca ouviu falar do “fator anão”? Então vamos lá: Se no seu vôo tiver algum anão, pode ir tranqüilo, afinal não existem registros na história da aviação de nenhum anão que morreu em razão de um acidente aéreo. Nem mesmo em terra, atingido por destroços. O fator anão é inquestionável!
Eu sei que pode parecer bobagem, mas se o Joelmir se vale das abelhas, porque eu não posso acreditar nos anões?!
Nessas horas, todos se sentem um pouco especialistas em segurança aérea e arriscam os mais variados palpites, na maioria das vezes motivados pelos verdadeiros especialistas, que, sem o menor constrangimento, divulgam na mídia umas teorias bastante bizarras.
Com o recente caso da Air France não poderia ser diferente.
A primeira coisa que me chamou a atenção foi um dado, transmitido pelo respeitável Joelmir Beting, de que, com base em um estudo americano, “mais pessoas morrem por ano de picadas de abelhas do que de acidentes de avião.” De cara me surgiu o seguinte questionamento: O que se pretende com esse tipo de estudo? E mais, o que se pretende com a divulgação desse tipo de estudo.
É óbvio que é possível listar uma infinidade de causas que matam mais que acidentes aéreos.
Por ano certamente morrem mais pessoas de velhice do que de acidente de avião. Talvez mais pessoas morram por ano engasgadas com balas soft ou intoxicadas pela terrível combinação de manga com leite. Minha mãe mesmo acha que as pessoas podem morrer ao comer maniçoba mal feita.
A questão é que eu não tenho medo de abelha. Morrer de velhice é o sonho da maioria. A maniçoba mal feita só vai dar uma baita diarréia. Sobre as balas soft... é melhor não comentar porque elas são realmente perigosas.
Eu tenho medo é de avião!
A verdade é que, pra quem tem medo da voar, nem mesmo dados objetivos mais sérios servem como alento. Por exemplo: Somente ocorre um acidente aéreo de grandes proporções a cada 100.000 pousos e decolagens. Grande coisa. Alguém vai ter que voar no número 100.000 e pode ser você.
Se apegar aos itens de segurança do avião também não ajuda muito. Você já ouviu falar de alguma pessoa que se salvou de um acidente de avião por causa da poltrona flutuante? E aquela máscara?! Ela serve pra que mesmo?! E não é só: “Se houver uma criança sentada na poltrona ao seu lado, primeiro coloque a sua máscara e, posteriormen... EXXXSSSGRODOWSKYYY!! E TUDO ACABA NUMA IMENSA BOLA DE FOGO!!”
Esqueça tudo isso. O que realmente funciona é prestar atenção em dados intuitivamente relevantes, como por exemplo, o “fator anão”.
Você nunca ouviu falar do “fator anão”? Então vamos lá: Se no seu vôo tiver algum anão, pode ir tranqüilo, afinal não existem registros na história da aviação de nenhum anão que morreu em razão de um acidente aéreo. Nem mesmo em terra, atingido por destroços. O fator anão é inquestionável!
Eu sei que pode parecer bobagem, mas se o Joelmir se vale das abelhas, porque eu não posso acreditar nos anões?!
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Síndrome de Dani Bananinha - uma análise psicológica de Roberto Justos
De cara quero esclarecer que não sou psicólogo, psiquiatra ou mesmo psicanalista. Na verdade sempre estive mais pra paciente do que pra doutor.
Apenas me considero mais um curioso observador do comportamento humano. Os astrólogos diriam que isso é fruto de um espírito crítico típico dos virginianos. Eu prefiro não analisar a questão com profundidade, afinal, é muito mais cômodo (e divertido) analisar os outros.
Um sujeito que passou a me intrigar muito nos últimos tempos é Roberto Justos. Um cara bem sucedido profissionalmente, rico (talvez milionário fosse melhor empregado), respeitado e que, de uma hora pra outra, resolve estrelar uma versão pobre de um ridículo reality show americano apresentado pelo ridículo Donald Trump – qualquer ser humano que usa um cabelo daqueles só pode ser definido como ridículo, independentemente das dezenas de zeros à direita no seu extrato bancário.
Mas não vamos perder o foco. O objeto da análise hoje é Roberto Justos.
Passei a assistir a alguns episódios do programa me escondendo na confortável desculpa de que só agia assim por influência da minha mulher, mas no fundo esse não era o motivo. O que eu queria mesmo era entender aquele ser.
O que motiva esse homem? Porque ele se traveste de um apresentador já travestido de um caricato presidente de empresa, margeado por dois inexpressivos conselheiros, para simplesmente submeter umas figuras indescritíveis* à humilhação de ouvir em rede nacional aquilo que nenhum trabalhador quer ouvir sequer sozinho na sala do chefe.
Uma pausa: fiquei com remorso pelo “inexpressivos conselheiros”. Foi mal Walter. Me afeiçoei a você de graça.
Vamos voltar ao tema.
Como a maioria dos curiosos fatos da vida, minha angústia chegou ao fim por acaso, ao observar um dos episódios. A equipe vencedora da prova ganhou, como prêmio da tarefa, o direito de desfrutar de “um maravilhoso cruzeiro, num maravilhoso transatlântico com direito a um maravilhoso show musical.” Maravilhoso show musical?? Nessa hora comentei com minha mulher: Só falta ser Roberto Justos cantando! E quem seria?
O show, obviamente, foi horrível. Isso já era de se esperar.
O fato que me fez compreender tudo foi a reação de Roberto Justos na sala de reunião. Ele, claramente angustiado e triste, aproveitou a primeira oportunidade para justificar o fiasco musical, colocando a culpa no equipamento de som.
Rindo sozinho eu refleti: Deus é realmente um cara espirituoso! Botar no mundo um homem. Dotá-lo de inteligência; traçar um longo caminho até que ele se tornasse um empresário bem sucedido e rico, quando na verdade, pra ele ser feliz, bastava ter vindo ao mundo na fôrma da Dani Bananinha e ser a boazuda e famosinha “coleguinha” do Luciano Huck.
* indescritível
adj. 2 gén.
adj. 2 gén.
1. Que não pode ser descrito.
Apenas me considero mais um curioso observador do comportamento humano. Os astrólogos diriam que isso é fruto de um espírito crítico típico dos virginianos. Eu prefiro não analisar a questão com profundidade, afinal, é muito mais cômodo (e divertido) analisar os outros.
Um sujeito que passou a me intrigar muito nos últimos tempos é Roberto Justos. Um cara bem sucedido profissionalmente, rico (talvez milionário fosse melhor empregado), respeitado e que, de uma hora pra outra, resolve estrelar uma versão pobre de um ridículo reality show americano apresentado pelo ridículo Donald Trump – qualquer ser humano que usa um cabelo daqueles só pode ser definido como ridículo, independentemente das dezenas de zeros à direita no seu extrato bancário.
Mas não vamos perder o foco. O objeto da análise hoje é Roberto Justos.
Passei a assistir a alguns episódios do programa me escondendo na confortável desculpa de que só agia assim por influência da minha mulher, mas no fundo esse não era o motivo. O que eu queria mesmo era entender aquele ser.
O que motiva esse homem? Porque ele se traveste de um apresentador já travestido de um caricato presidente de empresa, margeado por dois inexpressivos conselheiros, para simplesmente submeter umas figuras indescritíveis* à humilhação de ouvir em rede nacional aquilo que nenhum trabalhador quer ouvir sequer sozinho na sala do chefe.
Uma pausa: fiquei com remorso pelo “inexpressivos conselheiros”. Foi mal Walter. Me afeiçoei a você de graça.
Vamos voltar ao tema.
Como a maioria dos curiosos fatos da vida, minha angústia chegou ao fim por acaso, ao observar um dos episódios. A equipe vencedora da prova ganhou, como prêmio da tarefa, o direito de desfrutar de “um maravilhoso cruzeiro, num maravilhoso transatlântico com direito a um maravilhoso show musical.” Maravilhoso show musical?? Nessa hora comentei com minha mulher: Só falta ser Roberto Justos cantando! E quem seria?
O show, obviamente, foi horrível. Isso já era de se esperar.
O fato que me fez compreender tudo foi a reação de Roberto Justos na sala de reunião. Ele, claramente angustiado e triste, aproveitou a primeira oportunidade para justificar o fiasco musical, colocando a culpa no equipamento de som.
Rindo sozinho eu refleti: Deus é realmente um cara espirituoso! Botar no mundo um homem. Dotá-lo de inteligência; traçar um longo caminho até que ele se tornasse um empresário bem sucedido e rico, quando na verdade, pra ele ser feliz, bastava ter vindo ao mundo na fôrma da Dani Bananinha e ser a boazuda e famosinha “coleguinha” do Luciano Huck.
* indescritível
adj. 2 gén.
adj. 2 gén.
1. Que não pode ser descrito.
Incômodo
Pode ser que este texto, ao final, cause no leitor a impressão de mais um textinho piegas. Um daqueles textinhos nos quais uma pessoa média, com um salário mediano e um intelecto medíocre relata que percebeu o quanto sua vida é boa quando comparada à vida de tantos outros miseráveis a sua volta.
Torço pra que não, mas a torcida do autor pouco importa nessas horas.
A verdade é que a estória começa assim, como as outras: Uma semana difícil. Muito trabalho. Trancando o escritório quase todos os dias. Pelo menos hoje é sexta. Sexta? Sinônimo de uma noite longa para quem inventou mais um curso que surpreendentemente é puxado.
O resultado dessa receita é piegasmente previsível: Sensação de que tem algo errado; de que você não está pensando a carreira estrategicamente. Aquele sentimento convincentemente firmado de que você é 1/3 de bosta.
No caminho para casa mais uma sinaleira. Mais um malabarista. Não, corrijo, mais uma malabarista. Ossuda, cadavérica, moribunda, o adjetivo de nada importa, todos lhe cairiam tão bem quanto uma luva pequena.
A rotina da compadecência mecânica se inicia com a separação das moedas (as menores, afinal, as de um real são para o porquinho), passa pelo baixar pouco o vidro e termina por entregar, torcendo para que as mãos não se toquem. Tudo como de hábito.
“Desculpe incomodar o senhor.” Ela me disse: Desculpe incomodar o senhor.
Que palavra bem empregada. Incômodo. Ela jamais vai ter noção de como formulou uma frase tão adequada à situação.
Obrigado por me incomodar. Esteja sempre à vontade.
É uma pena que você não saiba ler, porque hoje eu escrevo só pra te agradecer.
Torço pra que não, mas a torcida do autor pouco importa nessas horas.
A verdade é que a estória começa assim, como as outras: Uma semana difícil. Muito trabalho. Trancando o escritório quase todos os dias. Pelo menos hoje é sexta. Sexta? Sinônimo de uma noite longa para quem inventou mais um curso que surpreendentemente é puxado.
O resultado dessa receita é piegasmente previsível: Sensação de que tem algo errado; de que você não está pensando a carreira estrategicamente. Aquele sentimento convincentemente firmado de que você é 1/3 de bosta.
No caminho para casa mais uma sinaleira. Mais um malabarista. Não, corrijo, mais uma malabarista. Ossuda, cadavérica, moribunda, o adjetivo de nada importa, todos lhe cairiam tão bem quanto uma luva pequena.
A rotina da compadecência mecânica se inicia com a separação das moedas (as menores, afinal, as de um real são para o porquinho), passa pelo baixar pouco o vidro e termina por entregar, torcendo para que as mãos não se toquem. Tudo como de hábito.
“Desculpe incomodar o senhor.” Ela me disse: Desculpe incomodar o senhor.
Que palavra bem empregada. Incômodo. Ela jamais vai ter noção de como formulou uma frase tão adequada à situação.
Obrigado por me incomodar. Esteja sempre à vontade.
É uma pena que você não saiba ler, porque hoje eu escrevo só pra te agradecer.
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