Nascemos chorando o choro sincero de quem se despede do conforto do útero. Crescemos nos despedindo da saudável ignorância infantil. Cada descoberta é uma despedida. Nos despedimos do “não saber”, embora muitas vezes fosse bem melhor que tivéssemos continuado mais um tempo em sua companhia.
Em algum momento não devidamente guardado na memória, nos despedimos da infância em rumo à conflituosa adolescência. Lá, nos despedimos muito. Das espinhas; da barba rala; do fígado virgem; da virgindade; das camisas autografadas ao final de cada ano; dos amigos que autografaram as camisas e os momentos; da falta de culpa e principalmente da falta de preocupações.
Em momento algum encaramos essas passagens com a tristeza e o peso do que se convencionou chamar por despedida. Nos despedimos com a alegria de quem intuitivamente sabe que a única coisa que nunca deixamos para trás é o que está por vir. Viver é despedida. Viva! Se despeça do fim de tarde. Amanhã é dia de mais uma vez conhecer o novo. Até que a vida se despeça do corpo, aproveite.
terça-feira, 21 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
ÁGUA LIMPA
Caros amigos, gostaria de me desculpar pela demora em escrever algo de inútil especialmente dirigido a vocês, mas, como o próprio nome já diz, esse é um sifão. Isso significa que, as vezes, por motivos dos mais diversos (a morte de Michael; a inexplicável ausência de novos acidentes aéreos; as férias de Roberto Justos...), a água desce limpa, não restando nenhuma sujeira que sirva de alimento para o fungo das idéias.
Noto agora o quanto estou sendo injusto com os fatos. Só a morte de Michael Jackson renderia um livro. Certamente não um livro infantil.
Há alguns dias um outro AIR BUS caiu e uma menina sobreviveu. Vale destacar que, após dez horas no mar ela foi encontrada agarrada a uma poltrona flutuante e ainda respirando com a ajuda da sua máscara de oxigênio. Estudos estão sendo realizados na Universidade de Massachucetts em razão das fortes suspeitas de que na verdade ela seja uma anã.
É inegável que eu não posso colocar a culpa nos fatos. Todos os dias somos premiados por situações ou notícias que inspirariam escritores mais talentosos.
Um dia desses, por exemplo, estava vendo TV e fui surpreendido por uma propaganda, estrelada por uma linda modelo, na qual anunciavam um desodorante que dura 48 horas. Imaginar a bizarra razão pela qual aquela sensual modelo compraria um desodorante que a permitisse ficar dois dias sem tomar banho, cheira a um bom texto.
A culpa, portanto, é sempre do autor. Nunca dos fatos, nunca da inspiração.
Noto agora o quanto estou sendo injusto com os fatos. Só a morte de Michael Jackson renderia um livro. Certamente não um livro infantil.
Há alguns dias um outro AIR BUS caiu e uma menina sobreviveu. Vale destacar que, após dez horas no mar ela foi encontrada agarrada a uma poltrona flutuante e ainda respirando com a ajuda da sua máscara de oxigênio. Estudos estão sendo realizados na Universidade de Massachucetts em razão das fortes suspeitas de que na verdade ela seja uma anã.
É inegável que eu não posso colocar a culpa nos fatos. Todos os dias somos premiados por situações ou notícias que inspirariam escritores mais talentosos.
Um dia desses, por exemplo, estava vendo TV e fui surpreendido por uma propaganda, estrelada por uma linda modelo, na qual anunciavam um desodorante que dura 48 horas. Imaginar a bizarra razão pela qual aquela sensual modelo compraria um desodorante que a permitisse ficar dois dias sem tomar banho, cheira a um bom texto.
A culpa, portanto, é sempre do autor. Nunca dos fatos, nunca da inspiração.
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